Roberto Mawell cansou de todos os problemas sociais que o cercava no Rio de Janeiro. O carioca conquistou uma oportunidade e embarcou para o Japão, onde completou recentemente oito anos de moradia.





Roberto Maxwell
38 anos
Tóquio, Japão
Cidade Natal: Rio de Janeiro, RJ

Há quanto tempo está no país?
Fez oito anos em outubro último.

Com o que você trabalhava no Brasil e qual o seu trabalho no Japão?
No Brasil, eu era professor de Ensino Fundamental. Tinha me formado em cinema, também. Mas, infelizmente, naquele momento o cinema não era a minha atividade principal. Hoje, eu trabalho basicamente com mídia, em diversos frontes. Sou locutor, redator, tradutor da Rádio Japão da NHK World. Apresento e escrevo três programas, no momento, que falam de cultura e língua japonesa. Escrevo, também, como freelancer para diversas mídias. Já tive artigos publicados no Brasil pela Folha de São Paulo, pelos portais do iG e do Mix Brasil e, aqui no Japão, sou colaborador da Revista Alternativa, voltada para brasileiros que vivem no Japão. 
Recentemente, tenho trabalhado cada vez mais como tradutor, fazendo serviços para empresas que precisam de textos em japonês traduzidos para o português. 
Também tenho um fronte no audiovisual. Fui produtor do antigo correspondente da Rede Globo no Japão, Roberto Kovalick. E, hoje, atendo a empresas brasileiras que vêm filmar aqui no Japão. Fui um dos produtores da temporada Japão do programa 'Um Pé de Que?" (Futura), produzi a passagem da Dani Suzuki pelo país no "Pé No Chão" (Multishow) e fui um dos produtores da atual temporada do "No Caminho" (Multishow). E ainda produzo os meus próprios curtas e fotografias. Lancei ano passado um livro digital chamado "Kome - A Reconstrução dos Laços Comunitários no Japão Pós-11 de Março", sobre o primeiro ano depois do último grande terremoto que abalou o país.

O que te levou a sair do Brasil?
Eu tinha muita vontade de ver como a vida acontecia fora do Brasil. Sempre achei determinadas coisas muito esquisitas lá. Por exemplo, a imundice das ruas, a desorganização das filas, o mal funcionamento dos serviços públicos e privados. Tinha a impressão de que nada era feito realmente para funcionar. Eu nasci e tinha vivido, até então, a vida inteira no Rio de Janeiro. Todo mundo falava de Cidade Maravilhosa e eu ficava com a pulga atrás da orelha. Tem um pôr-do-sol lindo no Arpoador que só meia dúzia pode ver e aplaudir. Então, a cidade era maravilhosa para quem? 
Como educador, eu também me sentia perdido. Os pais queriam que a gente ensinasse as crianças a serem meras reprodutoras, repetidoras de conhecimento. Tudo parecia estar muito fora do lugar. Fui ficando isolado, deprimido, quase abandonei o emprego. Estava ficando muito chato porque eu reclamava de tudo e já nem aguentava mais ouvir as pessoas falando das coisas boas do Rio. Então, achei que eu deveria sair fora, que o incomodado era eu, que para o restante das pessoas estava tudo bem. Era vital para mim ver se o mundo estava seguindo os mesmos passos. Comecei a procurar por bolsas de estudos e acabei encontrando uma bolsa do Japão que era feita para mim: eles procuravam professores interessados em conhecer o sistema educacional do país. Então, eu vim. Inicialmente, morei numa cidade linda chamada Shizuoka que fica a cerca de 200 km de Tóquio. O plano era ficar 1 ano e meio e depois retornar ao Brasil. Eu não pensava em voltar, mas nem imaginava em ficar no Japão. Pensava em Europa. 
Só que em alguns poucos meses eu já estava, surpreendentemente, muito bem adaptado. Não é fácil, viu? A língua japonesa não tem praticamente nada que soe familiar para nós e os japoneses são o oposto dos cariocas. Quase tudo é escrito em caracteres que eu nunca imaginei que um dia eu conseguiria ler. Mesmo assim, eu me sentia em casa, como nunca me senti no Rio. Por isso, decidi ficar.

Por que escolheu o Japão e Tóquio?
Não escolhi o Japão. O Japão me escolheu. Eu entrei para tentar a bolsa sem ter nenhuma expectativa de ser selecionado. Meu inglês era enferrujado e eu não falava nada de japonês. (OK, 'arigatô' e 'sayonará' da música do É O Tchan, eu sabia.) Também não era o típico nerd, o otaku, que gosta de animê e mangá. No máximo Spectreman, Jaspion, Changeman... Fui para a prova (de inglês) e achei que tinha me dado muito mal. Mas ainda tinha a entrevista. Inicialmente, não recebi a mensagem de que eu tinha sido selecionado para a entrevista na data prevista. Então, eu já estava me sentindo reprovado. No entanto, um ou dois dias depois eles me chamaram. Fiquei com a impressão de que eu tinha ficado na reserva e fui para a entrevista disposto a passar, já que tinha ganho essa segunda chance. Me preparei muito. Fiquei imaginando as perguntas que iam me fazer e pensando as respostas em inglês para não errar. Foi mágico porque eles me perguntaram praticamente tudo o que eu treinei com um amigo em casa. E, enfim, eu passei.
Tóquio veio depois, com a necessidade. Quando a bolsa acabou, eu decidi entrar no mestrado, depois de receber um convite de um professor da mesma universidade. Ele estudava imigrantes brasileiros, na área de Ciências Sociais. Eu já estava estudando o tema e tinha feito um curta sobre ele chamado "Dekassegui". Eu não tinha planos de fazer mestrado. Tinha dado a minha carreira acadêmica como encerrada depois da segunda graduação, Cinema. Mas, enfim, achei que era uma oportunidade de saber mais sobre o país, aprender mais japonês e me fixar em definitivo por aqui. Depois do mestrado, eu não tinha trabalho e, sem isso, não ia conseguir renovar o visto. Em Shizuoka, a minha única oportunidade era mudar de cidade e trabalhar como intérprete, na comunidade brasileira, que é grande na província que tem o mesmo nome. E eu queria voltar a trabalhar com mídia. Então, Tóquio era a maior possibilidade. Vim e tem dado certo.

Conhece o Idioma? Já conhecia quando se mudou?
Quando eu cheguei, não sabia nada. Hoje, eu falo, leio e escrevo bem o idioma. Já consigo ler livros, jornais e revistas que, segundo os professores, é o estágio mais alto. Ainda uso o dicionário para determinados caracteres e sinto que tenho muito que aprender. Mas, consigo ser bem independente ao ponto de viver de tradução. Meu inglês também melhorou muito, leio, escrevo e falo com fluência e boa parte dos meus trabalhos como tradutor são de inglês para português.

Qual o custo de vida? É mais barato ou mais caro em relação ao Rio de Janeiro?
Depende do ponto de vista. De certo modo, os preços de diversas coisas importantes como alimentação e moradia são bem altos em Tóquio. No entanto, os salários acompanham esses preços e você consegue viver bem, se estiver trabalhando. Mas, o melhor de tudo é que, mesmo pagando altos impostos e preços, você evita um monte de gastos que no Rio de Janeiro são quase que obrigatórios. Por exemplo, um bom plano de saúde. Aqui, a saúde pública não é gratuita como no Brasil. Mas, se você tem um seguro de saúde público, tipo o nosso INSS, paga somente 30% da maior parte das despesas hospitalares. Esse valor cai mais se você for idoso ou criança. E você é bem atendido, os hospitais funcionam e os médicos são bons. (Acho os médicos brasileiros melhores, mas com tantas dificuldades, o atendimento no Brasil acaba ficando pior que aqui.) Portanto, o imposto é alto, mas o retorno vem em segurança, saúde, transporte público de qualidade, etc. E você deixa de gastar em um monte de outras coisas para ter uma vida melhor. 
Isso sem contar que, pelo menos no Rio, você vale pelo que veste, pelo lugar em que come, pela academia que frequenta, algo que eu detesto. Então, quem quiser estar bem na fita, precisa desembolsar grana em coisas supérfluas só para não ser discriminado, até mesmo para não perder uma vaga de emprego. Aqui, você é respeitado, mesmo se não veste as roupas mais caras ou anda de carro para lá e para cá. 
Eu vim de uma família muito pobre, consegui ter um bom emprego e estudos com muito sacrifício dos meus pais e melhorei de vida no Brasil. No entanto, estava sempre endividado, não conseguia usufruir o que realmente importa na vida que é aprender mais, conhecer mais, porque não tinha grana para viajar, nem como mochileiro. Enfim, no Rio se gasta com um monte de coisa que não é realmente necessária. No fim, só de deixar de gastar com essas coisas, você acaba economizando. 

Qual a relação que você faz da infraestrutura da cidade em que você mora com a da sua cidade natal?
Estão em extremos opostos! No começo, aqui, eu sempre me lembrava de uma cena horrível que presenciei diversas vezes no Rio: gente jogando lata de bebidas pela janela de ônibus e carros. Bicho, eu ficava revoltado e um dia resolvi reclamar. Quase apanhei dentro do busão. Para aquelas pessoas, era correto jogar o lixo na rua. Simples assim. Aqui você não vê sujeira na rua e, no começo, fica pensando: caramba, o governo limpa tudo. Depois, você entende que não é por aí. O governo não limpa. No máximo, faz uma manutenção, recolhe o lixo. Mas quase não há varredores de rua. Por que? Porque não há sujeira para varrer com frequência. No Brasil, a gente ouve o cara dizer que joga lixo no chão para não tirar o emprego do gari! Aqui, as pessoas mantêm as coisas limpas e, sendo assim, tudo continua limpo.
Quer outro exemplo? Transporte público. No Brasil, as pessoas se queixam de que os trens e ônibus estão cheios e tal. Sim, são insuficientes aí e isso é claro. Mas, muitas não sabem como a coisa é em Tóquio. Temos inúmeras linhas, uma infraestrutura que eu só vi igual em Seul e em Londres. Isso ajuda muito, mas a região metropolitana de Tóquio é quase cinco vezes maior que a do Rio! Os trens, no horário de pico, estão sempre cheios. Ninguém gosta de estar amassado num trem, os japoneses inclusive. Nem por isso sai todo mundo de carro, piorando a situação. O que as pessoas fazem? Facilitam a circulação do trem para que a viagem seja feita no tempo estipulado e o tormento acabe para todos o quanto antes. Como se faz isso? Desde a chegada na plataforma: se organizando em filas, esperando o desembarque para embarcar, entrando no carro até o meio... Além disso, fico pasmo com o carinho que as pessoas têm pelo trem, pelo metrô. É uma limpeza inacreditável. Nem parece que uma manada de gente saiu de dentro do carro. Tudo está limpo, do chão ao teto. Recentemente, uma linha de trem foi conectada à outra, de metrô. É comum aqui. Apesar de haver várias empresas, elas operam as linhas em conjunto e a maioria das linhas de Tóquio se emendam em outras e por aí vai. Enfim, a plataforma antiga de uma das linhas teve que ser desativada. As pessoas faziam fila no último dia da plataforma para se despedir dela. Tiravam fotos, tinha até gente chorando. Eu senti a gratidão que aquelas pessoas tinham por terem passado tantas vezes por aquele lugar. A lição que eu tiro de tudo isso é que no Brasil, do poder público à população, ninguém faz a sua parte. Por isso é tão ruim. Falta o trem, falta o metrô, falta o ônibus, falta o embarque, o desembarque, a consideração... Falta tudo!

O que te chamou atenção na cultura japonesa?
Tanta coisa, para o bem e para o mal. Para o bem, essa capacidade de organização, de planejamento, de ter gratidão e cuidado com as coisas. É interessante porque no Brasil a gente critica o fato de se dar valor às coisas materiais. Os japoneses dão muito valor às coisas materiais. Por que? Porque elas são frutos do suor, do trabalho, do esforço de alguém. Então, isso me chamou muito a atenção porque nossa cultura judaico-cristã nos diz que não devemos nos apegar às coisas materiais e a gente entende isso como descuido, desprezo. Não devia ser assim.
Agora, também tem coisas que me surpreendem e são negativas. Uma delas é o fato dos japoneses serem realmente muito fechados ao que acontece fora do país deles. (E, neste caso, país pode ser a cidade, o bairro. Em japonês, 'kuni' é a palavra usada para "país" mas, em alguns casos, também pode ser usada para "cidade" ou locais menores.) Eles parecem não ter interesse no que acontece fora do "kuni" deles. Isso é muito ruim porque o mundo não comporta mais pessoas tão fechadas em si mesmas. Moro aqui há 8 anos, falo japonês fluentemente e, mesmo quando eu chego conversando com alguém em japonês, tem gente que só de ver a minha cara pensa que eu sou 'eigo-jin' que é uma palavra que, com muita forçação de barra, significa 'pessoa falante de inglês'. No fundo, 'eigo-jin' é qualquer um que tenha cara de ocidental. E, portanto, essa pessoa só pode ser alguém que veio de fora e não fala japonês. Isso é péssimo, ainda mais depois de tantos anos, inclusive de estudos e dedicação à língua. Basta me ouvir, sem tirar conclusões precipitadas, e ver que eu posso me comunicar em japonês.
No mais, me surpreendeu, também, a gentileza no trato, mesmo em situações como a que eu relatei agora (e até mesmo quando você está sendo discriminado, o que é raro, mas acontece). É uma coisa inacreditável. Quase todo mundo é educadíssimo! Até numa loja de conveniência, o tratamento é VIP se compararmos com o de restaurantes no Brasil, por exemplo. Uma vez um amigo me disse:  “Ah, é artificial! Ela não quer sorrir pra você. É só obrigação.”, e eu disse para ele que não importava. Eu não vou em loja de conveniência em busca de amor verdadeiro! Só quero comprar minhas coisas e ser tratado com decência. Não estou em busca do amor da vendedora, entende? Eu senti essa diferença quando voltei pela primeira vez, no ano passado. Você entra numa loja e as pessoas estão quase sempre de bico, quase sempre tratam mal o cliente. A simpatia que o mundo diz que os brasileiros têm não se reproduz no atendimento, só para citar um exemplo.
Enfim, o japonês é muito educado para manter a harmonia das relações. É um povo extremamente adaptado para viver em harmonia. Nem sei se isso é sempre bom porque nada é perfeitamente harmônico. Mas, é algo surpreendente, sem dúvida.

O que é falado sobre o Brasil por aí?
O Brasil está em voga no Japão. O japonês médio conhece o que qualquer gringo conhece: samba, futebol, essas coisas. E a TV, como em qualquer lugar do mundo, reforça esses estereótipos. Uma vez, eu fiz um teste para trabalhar num programa de TV. Eles queriam um brasileiro no time de comentaristas estrangeiros que o programa tem. Bem, quando ele me viu branco e gordo já estranhou! Pensou que eu era americano ou russo. Depois, quando eu falei que não curtia muito futebol, ele já fechou a cara. Quando eu disse que não sabia sambar, perdi a vaga! No momento, as TVs têm dado muitas coisas da violência no Brasil. As cenas do cara que se filmou sendo assaltado correram muito, claro, e ganharam destaque na TV japonesa. Os protestos também. Teve comentarista questionando se o Brasil é capaz de fazer a Copa ou as Olimpíadas. Não por causa dos atrasos, das obras, mas sim por causa da violência. Isso é muito ruim. Conheço muito japonês que queria ir à Copa mas está com medo. E sei dos que foram na Copa das Confederações e não se arrependeram. Ou seja, a violência tem um peso forte que esconde as potencialidades do Brasil.

Gostam da música brasileira? Como é a repercussão das nossas músicas?
A música brasileira não é um hit no Japão. Tipo, não vende milhões de cópias nem arrasta multidões. Já teve época que a música pop mais sofisticada era muito influenciada pela bossa nova, por exemplo. O Pizzicato Five, que fez sucesso no Brasil, é um exemplo. O DJ Towa Tei, que era do Deee Lite, lançou um disco chamado "Technova". Então, já foi mais sucesso, mais mainstream. No mais, o grande público hoje só tem contato com música brasileira com trilha sonora de restaurante, de café. Bossa nova e MPB mais melódica, com violão bem tocado, boas harmonias são tidas como músicas "chiques" e "sofisticadas". Até o Mc Donald's toca, dependendo da hora do dia. Mas é basicamente isso. Recentemente, um japonês fez uma versão de "Ai Se Eu Te Pego" aqui. O original passou despercebido e a versão chegou até meio tarde. Mas, fez sucesso por aqui. Acho que foi o mais perto de um 'hit' que uma música brasileira conseguiu no Japão nos últimos anos. No entanto, existe um público muito fiel, um nicho de música brasileira grande em cidades como Tóquio e Osaka. Este nicho escuta e produz bossa nova. A bossa nova, hoje em dia, só existe aqui. Mas, não é só isso. Tóquio tem diversos bares brasileiros com músicos que tocam samba, pagode, choro... O público que frequenta é muito sofisticado, não no sentido babaca do termo, mas pelo fato de ser bem informado, buscar conhecer mais, aprender mais, saber o que está rolando de novo. Essas pessoas sustentam um pequeno mercado que é bom para os artistas do Brasil, porque o japonês ainda compra CDs e gera demanda de shows, e para o artista que vive aqui e consegue viver tocando nesses bares e, eventualmente, gravando.

Tem alguma história engraçada/inusitada que aconteceu com você no país?
Olha, no começo eu pagava muitos micos. O primeiro deles foi quando eu fui convidado por uma senhora para um almoço com os alunos dela. Ela queria que eu apresentasse um pouco do Brasil, da cultura do país. Ela tinha um carinho especial pelo Brasil porque o filho dela tinha vivido lá para treinar futebol. Eu aceitei e ela, toda feliz, me perguntou se eu gostava de feijão. Tipo, feijão que a gente come no Brasil, preto. E eu estava doido para comer feijão. No Brasil, eu comia feijão todo dia. Eu adoro feijão e disse isso a ela. E ela fez feijão para mim. 
Começou o evento e eu não via a hora do bate-papo com a criançada acabar para eu comer feijão. Quando acabou, ela me chamou e abriu aquele panelão de feijão na minha frente. Eu fiquei doido! Ela pegou um copo de papel e botou o feijão para mim. Eu achei estranho, enfim. Não era caldinho, era feijão mesmo. E eu queria comer no prato, se possível com arroz. Tinha sonhado com aquilo. Mas não tinha arroz, só feijão. Bem, arroz eu comia todo dia, então não me importei e meti uma colherada do feijão no copo e mandei para dentro. Putz, bicho, quando o feijão caiu na língua e eu senti que era doce, quase botei tudo para fora. Aqui, eles comem feijão doce. Aliás, ela tinha feijão preto porque havia uma loja de produtos brasileiros perto da casa dela. O feijão deles é o azuki, que é melo avermelhado. Mas, eles comem doce, como geléia, em pasta. Hoje, eu até como, mas na época... Cara, eu tinha dito a ela que adorava feijão e ela fez uma panela GIGANTE só para mim. Mas era doce! Como eu ia comer aquilo doce? Olha, eu fiquei o resto do encontro fugindo dela para não ter o meu copo abastecido e para não ter que recusar o feijão. O que estava no copo, eu arrumei um jeito de jogar fora. Foi um dos maiores constrangimentos que eu tive na vida.

O que do Brasil te faz mais falta? Em que momento você sente/sentiu mais saudade?
Antes, eu sentia falta do feijão. Hoje, já me acostumei sem ele. Eu vou ser sincero demais: do país em si, hoje, eu não sinto falta de quase nada. Só de queijo de minas e geléia de mocotó. Sinto falta, sim, da minha família, dos meus amigos, inclusive muitos que eu fiz aqui e que voltaram para o Brasil, em especial depois do terremoto de 2011. Também sinto um pouco de falta da vida sexual do carioca, sempre muito agitada. Aqui é um pouco mais devagar. Mas, a minha vida sexual aí era exagerada. Tinha um quê de compulsão que eu acho que consegui controlar aqui. 
Enfim, sabe quando eu senti saudade do Brasil? Quando estive aí no ano passado. No dia da abertura da minha exposição, consegui reunir muitos amigos, alguns que eu conheci aqui no Japão e outros mais antigos. Vi o quanto essas pessoas eram parte da minha história e me "representavam", para usar uma expressão que está em voga aí no Brasil. Às vezes, me sinto muito só sem elas. Não consegui, aqui no Japão, nos últimos anos, fazer muitos outros amigos que me "representam".

Do que você não sente falta no Brasil?
Principalmente de tudo o que é feito para não funcionar. Toda vez que eu leio uma matéria que fala, sei lá, de uma rodovia que foi inaugurada ontem e já está com buraco, me dá um negócio, uma revolta, uma vontade de nunca mais querer saber do Brasil! É ridículo, é absurdo! Se gasta tanto dinheiro para algo que não vai durar. É proposital. É mal feito porque não tem esmero. Mas, também, porque, no caso, da rodovia, gera votos, depois, o serviço de tapar o buraco. Fico pensando se as pessoas acreditam mesmo nessa anedota.
Também não sinto falta de fundamentalismo religioso. Eu sempre tive muito contato com evangélicos, minha família é evangélica, nunca foi algo simples de lidar, mas a gente se ama, aprende a se respeitar. Mas, atualmente, vejo que os evangélicos mais barulhentos, os mais influentes, os que têm mais acesso à mídia, estão acabando com o respeito pelas diferenças, pelo outro. O Brasil evangélico de hoje é diferente do que eu conheci e é muito ruim. Espero que ele seja uma onda que passe logo. Porque, depois de ter estado aí e visto o que eu vi e vendo tudo o mais o que eu ando acompanhando, achei o Brasil um país mais chato, mais careta e mais triste.

Você gosta da comida local? É muito diferente da brasileira?
Gosto. Realmente, a comida daqui é bem diferente da brasileira. Menos sal, menos açúcar, menos gordura. O sabor é bem mais suave, mas é mais eclético. A comida japonesa é relativamente conhecida no Brasil por causa dos imigrantes, mas, de verdade, é uma conhecida desconhecida. Tem tantos pratos aqui que os brasileiros nem imaginam. O que eu mais gosto são os hábitos alimentares, bem mais diversificados que os nossos. Eles comem de tudo e eu fui perdendo a frescura para comer aqui. Como muito mais peixe, muito mais verduras aqui do que comia no Brasil. Mas o mais legal é o jeito que eles comem, um pouco de cada coisa. E o mais legal ainda é como eles ensinam, já na infância, a criança a se alimentar corretamente. 
Você já deve ter ouvido falar dos kyara-ben. 'Kyara' vem de 'character' ou 'personagem' e 'ben' de 'obentô' ou 'marmita'. Os pais preparam para os filhos marmitas com comida saudável em forma de personagens dos desenhos e dos quadrinhos que as crianças mais gostam. No Brasil, a gente diz para a garotada não brincar com a comida. Aqui, elas brincam e comem coisas saudáveis. 
Uma vez, eu estava fazendo uma reportagem com o Kovalick para o Globo Repórter na casa de uma família brasileira que morava aqui há vários anos. A mãe estava ensinando a fazer um 'kyara-ben'. Lá pelas tantas, a menininha, de uns três anos, se enfiou escondida entre o repórter e a mãe para pegar um brócolis escondido. Criança brasileira comendo brócolis escondido? Só no Japão!

O que você costuma fazer nos momentos de folga? Quais os programas e lazeres existem para se fazer na cidade?
Eu me tornei muito caseiro nos últimos anos. Então, o que eu mais faço para me distrair é viajar. Em tese, no Japão, viajar é meio caro. Mas é muito seguro e tranquilo. E, claro, o tempo passa e você vai descobrindo como viajar barato. Uso ônibus noturno, compro tíquetes de trem com desconto e me jogo no mundo. Adoro visitar o interior do Japão e estou com um trabalho fotográfico de cultura japonesa tradicional. Então, uno as duas coisas e caio na estrada. 
Mas, como você pode imaginar, Tóquio é uma cidade-global. Então, tem de tudo. Boates não são tantas como em Londres ou São Paulo, mas tem clubes muito bons. Shows de grupos nacionais e internacionais, não faltam. Eu, particularmente, gosto muito de arte. Então, inúmeras galerias e museus com boa curadoria e exposições de artistas internacionais e locais. Mas o programa preferido dos japoneses são os bares, chamados izakaya. São mais no estilo pub, fechados. Mas dá para beber bem e comer bem, com preços variados. Agora, o mais legal para mim é explorar a cidade. Eu ando muito de bicicleta para isso. 
Tóquio não é uma cidade tecnicamente falando. É uma província. Dentro dela, existem 23 distritos especiais que possuem status de municipalidade, com governo próprio, mas governança integrada. São esses 23 distritos que as pessoas de fora chamam de 'cidade de Tóquio'. Além da questão administrativa, cada um desses distritos tem suas identidades culturais. Os arquitetos chamam Tóquio de 'pizza calabresa' por causa dessa descentralização das coisas. Taito, Adachi e Arakawa, por exemplo, são a cidade baixa, a parte antiga da cidade, com bairros com um clima mais rústico. É a parte que eu mais gosto! Minato, Shinjuku e Shibuya, são as cidades que atraem os descolados e as pessoas em busca de uma noite mais agitada. A parte onde moro, Setagaya, é a cidade com vários bairros adorados por artistas e estudantes. E mesmo dentro de cada distrito tem bairros com identidades diferentes. Quase todos os entornos de estação tem um centro comercial e ali rolam restaurantes, bares e coisas que podem surpreender! 

Você encontrou algum problema para obtenção de documentos e visto?
Não. Aqui, vale a documentação correta. Estando tudo ok, o visto sempre sai. A burocracia aqui é muito clara e, sendo assim, fica muito mais fácil atender às exigências. Mas, para quem não conhece, o Japão é um país com leis de imigração muito duras. Quem quiser morar aqui e não for descendente ou cônjuge de japonês precisa, salvo em casos muito específicos, ser trabalhador especializado, com trabalho já determinado, ou vir como estudante.

O que você menos gosta na cidade, ou no país?
O que eu menos gosto do Japão é o que eu menos gosto em mim: a tendência ao isolamento. Aqui, de vez em quando, aparecem casos de pessoas que morrem e as pessoas só descobrem meses depois. Isso rola porque existe um enorme respeito à individualidade de cada um. Ou seja, se você não faz nada que incomode seus vizinhos, passa despercebido. Esse negócio é bom, mas com limites, não é? A gente aqui vive sempre em risco iminente de um grande terremoto. A relação com os vizinhos ajuda muito na reconstrução, como eu descobri quando fiz as pesquisas pro meu livro. Então, se as pessoas se isolam, como vão se ajudar depois? Eu fiquei alguns meses quase sem sair de casa, me sentia feliz no meu canto até que um dia bateu a solidão. E, quando fui ver, nem tinha muitas opções de amigos para procurar. Estou refazendo minha rede de amigos aos poucos, há alguns anos entrei no CouchSurfing, uma comunidade de hospedagem solidária, tudo para evitar o máximo o isolamento. Porque, aqui, se você deixar, sem perceber, acaba se descobrindo sozinho.

Qual a relação dos nativos com brasileiros? Você possui amigos japoneses?
Em Tóquio, são poucos os brasileiros, em comparação com outras províncias. (Vivem mais de 200 mil brasileiros no país.) Eu conheço muitos deles, apesar de ter relação com muito poucos. Os japoneses de Tóquio veem os brasileiros como gente bacana, alegre. É o mesmo estereótipo de qualquer outro lugar do mundo. As relações com brasileiros são relativamente boas aqui. Já nas cidades onde vivem muitos brasileiros a coisa é um pouco mais tensa. São cidades industriais, muitas vezes pequenas, que atraem os brasileiros que vem para o Japão como operários. É uma vida de muitas horas de trabalho e, em boa parte dos casos, de pouco engajamento com a comunidade local. Os brasileiros formaram redes de solidariedade e uma pequena infraestrutura que são muito boas até certo aspecto. Por um lado, ajudam a diminuir a saudade do país e aproxima as pessoas, por outro isola dos nativos.  
Enfim, esse isolamento aliado com outros problemas sociais  como a ausência dos pais na criação, a necessidade de trabalhar longas jornadas, a falta de uma política de integração, sistema educacional que não atende às diferenças — acaba levando muita gente para a marginalidade e se criou, muito por parte da forma como tudo isso é reportado, uma ideia de que o brasileiro é um imigrante que se isola, que não fala a língua japonesa e que se envolve em problemas. Nestas regiões, as diferenças culturais explodem e, em casos muito isolados, chegam a virar conflitos.
Eu tenho amigos japoneses. Em geral, acabam sendo pessoas que se interessam pelo Brasil, pela música, pela língua ou pela cultura. Tenho pensado muito sobre o que faz alguém seu amigo e, realmente, morando exterior, é muito mais difícil fazer amigos porque faltam referências em comum. Amizades quase sempre começam a partir de algo que a gente descobre que o outro também curte. É um desenho da época de criança, uma banda que estourou, um livro que leu. Fui criado em outro país, com outros ídolos, outra cultura. É difícil achar alguém aqui que compartilhe desses gostos e, também, é difícil eu ser esse alguém para um japonês. Ainda bem que o Brasil tem muitos fãs no Japão! Assim, consegui fazer amigos.

Quais são os principais ídolos (esporte, música, política ou TV) atualmente no país?
Rapaz, me pegou, viu? Sou meio fora desse mundo de ídolos, mas vamos lá. Ultimamente se fala muito de um congressista, o Taro Yamamoto. Ele era um famoso ator que entrou no jogo político com uma campanha meio 'basta!' e foi eleito com muitos votos. Bem, a plataforma dele é contra o uso de energia nuclear e isso atraiu o eleitorado. Recentemente, ele entregou uma carta nas mãos do imperador e a imprensa conseguiu filmar um pedaço onde se lia 'Fukushima', o que levou todo mundo a concluir que ele estava falando da questão da usina. O problema é que, por lei, os políticos não podem tentar influenciar o imperador. Então, em tese, ele cometeu, no mínimo, uma infração. A grande discussão agora é se ele deve ser punido ou não pelo ato.

O que você costuma assistir na TV?
Esses dias eu li que quem diz o que eu vou dizer corre o risco de se passar por idiota. Enfim, a verdade é que eu não tenho televisão. Mas antes de alguém me chame de idiota, eu assisto a programas de TV. Mas não assisto a TV japonesa. O pouco que eu vi me irrita até hoje: é barulhento e chato. 
Eu vejo a novela das nove do Brasil pela internet. Me divirto muito com o Félix. Fazia tempo que eu não via um programa da TV brasileira com tanta frequência. A novela me faz pensar muito. É tanta maldade, tanta maldade que se torna caricato. Fico pensando porque as pessoas gostam de ver tanta ruindade. Eu, particularmente, acho surreal. Por isso, assisto. Mas tive um amigo aí do Brasil que parou de ver porque ficou incomodado.

Há alguma mania/febre no país atualmente?
Nossa, o Japão é um país cheio de febres e manias. Mas eu não sei nenhuma... Me desligo muito dessa coisa da cultura pop, da cultura de massas. Acho tudo muito superficial e chato. Enfim, parece que qualquer coisa aqui vende para os jovens. Enfim...

Você conheceu/utilizou algum produto ou serviço que recomendaria a ser utilizado no Brasil?
Não tem nada que eu recomendaria em específico. O que eu gosto daqui é que qualquer coisa que você compre, seja ela cara ou barata, dura e dura muito. 

Quais são os 3 esportes mais populares no país?
Acho que são o beisebol, o futebol americano e o sumô. O futebol também está ficando muito popular.

A população se envolve muito com a política? Qual a opinião/relação geral e sua do atual governo?
Não muito. O voto aqui é facultativo, o que eu acho muito bom. Mas sinto que a maioria das pessoas não confia nos políticos e não quer se envolver. Dos jovens, pouquíssimos votam. E, para ser honesto, os políticos falam muito pouco para os jovens. No fundo, a democracia japonesa não é feita para ser inclusiva. A maioria das pessoas me aparecem não apoiar o atual governo. Mas elas também não se queixam, fica tudo muito no ar. No meu caso, acho que o atual governo não sabe o que tem que fazer para tirar o Japão da recessão, mas me parece estar tentando de verdade.
Em alguns dias, o parlamento vai votar uma lei que transforma em secreto qualquer assunto considerado de segurança nacional. Em outras palavras, é uma espécie de Lei da Mordaça. Quem vazar informações que o governo considere secretas pode enfrentar anos de prisão. É uma manobra para conter o trabalho de jornalistas e o ímpeto de funcionários públicos indignados que queiram trazer à tona informações que o governo não deseja. Muita gente aposta, inclusive, que tem a ver com a situação da usina de Fukushima, já que até hoje há coisas que não foram esclarecidas. Tem havido mobilizações e isso me deixa muito feliz porque, apesar do baixo envolvimento da população em geral com as questões políticas, há gente se queixando. 

Você gosta da música do país? Tem algum cantor/banda que recomenda?
A tradicional música japonesa me atrai muito. Os tambores japoneses, o wadaiko, como eu já falei antes. Então, grupos como o Ondekoza e o Kodo sempre me atraem e eu vejo os shows deles. De música popular, gosto de uma cantora, já falecida, a Hibari Misora. A voz dela, os arranjos, os temas, tudo me interessa. Em música pop, gosto dos grupos dos anos 90 como o Pizzicato Five. Gosto do Cornelius, do Cibo Matto. De grupos atuais, eu curto o duo Hifana, que faz música eletrônica e suas performances vão além da música. Eles experimentam muito com vídeo e projeções e são um dos mais criativos grupos de arte do Japão hoje.

Conhece alguma história (ou lenda) da cultura que pode contar?
Eu gosto muito da lenda do Momotaro, o Menino-pêssego. O Momotaro foi encontrado pelos seus pais, um casal de velhos, dentro de um pêssego. Eles iam comer o pêssego e, quando se deram conta, encontraram o menino lá. Eles criaram o menino com muito carinho e o Momotaro cresceu e ficou um homem forte. A vila em que ele morava era sempre saqueada por ogros que vivam numa ilha chamada Onigashima, a Ilha dos Ogros. Um belo dia, a pedido do povo da cidade, o Momotaro resolveu partir para Onigashima e destruir os ogros. Antes de sair, sua mãe lhe deu alguns kibidango, um doce feito de pasta de arroz, para que ele comesse ao longo da jornada. No caminho até a ilha, o Momotaro encontrou um faisão, um cão e um macaco. Os bichos estavam com fome e ele dividiu com eles a merenda recebida da mãe. Estes animais, então, como agradecimento, decidiram ajudá-lo a derrotar os ogros. Momotaro chegou na ilha e, com a ajuda dos amigos, derrotou os ogros e trouxe de volta os objetos saqueados da ilha pelos monstrengos.

Existe algum programa do governo que lhe chame a atenção?
Me chama a atenção a forma como o governo opera no dia-a-dia, como funciona rápido a solução de problemas, como o Japão conseguiu ter um governo que funciona para fazer as coisas andarem. Eu acho que os prefeitos aqui são síndicos, que zelam pelo bem público e pelas necessidades dos moradores/condôminos. Isso é o que mais me chama atenção quando se fala em governo no Japão.

Pensa em voltar para o Brasil?
Não, não penso. O Japão é a casa que o Rio de Janeiro nunca foi pra mim. Sinto muita saudade dos meus familiares e amigos, mas a minha vida hoje é aqui e tenho o que preciso, inclusive a coisa mais básica que é a liberdade, que acho que o Rio não me ofereceu.

Qual o seu sentimento pelo Japão?
Pelo país em si, é complicado, não é? Porque país é algo tão abstrato... Não entendo o que as pessoas querem dizer quando dizem que amam um país, uma cidade ou mesmo um bairro. Amor para mim se sente por pessoas. Sentir algo por um país é estranho. Posso dizer o que sinto aqui. E, como eu disse e reitero, sinto segurança porque é um país que me oferece acesso ao que eu preciso, oportunidades para ser o que eu quero e me dá a tranquilidade que eu necessito para seguir vivendo e para alcançar os meus objetivos.

Se tivesse um filho, quais características ensinaria/gostaria que ele tivesse do jeito brasileiro e da maneira japonesa de ser?
É outra pergunta difícil de responder. Não acho que exista um jeito brasileiro ou japonês de ser. Somos indivíduos e a individualidade de cada um não me deixa generalizar as coisas. Mas, uma herança do Brasil que eu queria que ele tivesse era a língua. Se um dia eu tiver um filho, quero que ele fale português como nativo. O português é uma língua linda, riquíssima e muito, mas muito sonora. Além disso, é a minha língua materna, é a língua em que eu posso me expressar melhor. Portanto, é a língua em que eu posso dizer pro meu filho tudo o que eu sinto por ele da melhor forma possível. Esses dias, li um texto lindo de uma mãe brasileira que está criando seu filho na Alemanha, numa família alemã, e a maneira como ela expressa a necessidade de ensinar o português ao filho tem tudo a ver com o que eu penso. Ela diz que é a língua em que ela sabe expressar exatamente o que sente quando diz 'eu te amo'. É exatamente isso que eu quero que o filho que eu vier a ter, se vier, aprenda e sinta se eu puder ensiná-lo a língua portuguesa.
Já do Japão, além da língua, outra herança que eu quero que ele conheça é o bater dos tambores japoneses, a força que isso traz, a ancestralidade... Isso tudo é muito forte nesta cultura e eu quero muito que ele, a partir disso, se aventure pelas ilhas do Japão e seja alguém que aprenda com aquilo que não é material, mais do que com qualquer coisa.

Que conselhos você daria a quem pretende visitar ou até mesmo se mudar para o país?
Eu aconselho que quem puder venha ver com os seus próprios olhos e que venha sem expectativas, sem preconceitos, sem achar que o país deva ser assim ou assado. Foi assim que eu vim pro Japão. Não esperava nada e vim disposto a aprender e a trocar. Então, que venha de coração aberto. Além disso, que procure sair das áreas centrais, das grandes cidades e conheça as cidades menores, os lugares mais distantes, os recantos... Acho que vai ser uma experiência muito rica. Quem quer se mudar pro Japão recomendo, ainda, que aprenda japonês. Viver aqui sem saber a língua é complicado e pode isolar você da sociedade japonesa. Quem não fala japonês perde o mais legal que é poder se relacionar diretamente com as pessoas, sem intermediários.

11 comentários:

  1. Roberto, parabéns pela sua visão de mundo e sensibilidade em sua breve entrevista. Realmente, você me passou a "paixão" pela sua vida e o seu ofício no Japão. Eu vivo na Espanha a pouco menos de um ano e me identifiquei muito com o seu olhar diante do que é viver fora das terras tupiniquins. Abração.

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  2. WoW! Taí uma matéria digna de aplausos! Super adorei e me identifiquei muito com a história do Roberto. Eu concordo com ele em alguns pontos (em gênero, número e grau) sobre essa Cultura Ásiatica e a maneira de ver/aprender as coisas nesse continente educação 1000, que valoriza desde as coisas materiais SIM (afinal trabalhamos duro para tê-las) até a simplicidade de compartilhar uma tradição milenar tão ZEN! Parabéns Matheus pela escolha e por nos mostrar um pouquinho do Japão! Namastê, Danya Loyola

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  3. Meu, a melhor entrevista que ja li sobre a vida fora do Brasil! Parabens.

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  4. A forma como o Roberto Mawell utiliza as palavras fez desta matéria umas das melhores entrevistas já feitas aqui; gostei muito!
    Redigiu muito bem sem denegrir muito a imagem do Brasil, pois o que mais temos são motivos para falar mal (infelizmente).

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  5. Gostei muito desta entrevista, um rapaz que vê as coisas a partir de uma perspectiva muito interessante e interessada na descoberta e na busca por conhecer e entender o mundo ao redor. Concordo com ele em vários pontos. Um dos pontos, entre tantos, que me chamou atenção, foi quando ele diz que o Japão lhe dá oportunidade de ser o que ele quer ser. Exatamente isto apresenta um contraste enorme com o Brasil, porque, infelizmente, no Brasil não há passagem, formamos um país cheio de barreiras, quase ante-evolutivas. Nasceu pobre, o destino está traçado, difícil escapar e superar. Gente maravilhosa e cheia de potencial se defronta com barreiras imensas. Como ele, não tenho a menor vontade de voltar a morar no Brasil.

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  6. Oi gente, obrigado pelo feedback. E pessoal do site, obrigado pela oportunidade.

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  7. Cara, adorei. Moro em Fukuoka faz 1 ano e 4 meses, sou músico e entendo perfeitamente tudo o que você abordou. Abraço

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  8. Ola Matheus.fiquei muito encorajado com a sua linda historia de vida principalmente no atual momento em que me encontro onde estou disposto de mudar radicalmente o rumo da vida ou seja fazer o que tenho paixão.
    E minha paixão é comunicação meu pai trabalhou a vida dele inteira em rádio FM aqui no Brasil i clusive fez alguns trabalhos para a rede globo .
    Eu sempre acompanhava era o meu sonho.quando completei meus 17 anos consegui realizar me tornei locutar da rede metropolitana porem apos um ano já estava me casando com uma descendente e embarcam os para nagoya .voltamos ao Brasil após 2 anos e estou muuuuito insatisfeito com a realidade atual estamos até pensando em voltar para o Japão .
    Qdo li sua história fiquei encantado .poderia me ajudar c algumas dicas para trabalhar nesta área ai .

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  9. Me desculpa os erros pois o celular e internet aqui ta difícil.rsrrs

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  10. Caro amigo

    Tudo bem ? Sou Marcio do Rio de Janeiro. Parabens pelo seu maravilho comentario.

    Por favor ... vc poderia me dizer já que pretendo fazer um turismo em Tokyo com a minha família... quais são os 3 melhores bairros de Tokyo ? Me perdoe pela analogia ... mas quais seriam a copacabana, Ipanema e a Barra da Tijuca de tokyo?

    Um imenso abraços fraternal

    Marcio

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